Como anda a sua velhice



Por engenheiro José Antonio Uba


Apesar de não me sentir e não parecer velho – eu acho –, muitas vezes já me peguei pensando se minhas atitudes e pensamentos não me denunciam como uma pessoa que já passou dos 50, ou dos 60, ou dos 70...
Não me refiro, nesse caso, à idade cronológica, aquela que contamos quando fazemos aniversário, mas à idade mental, aquela que nos mostra realmente como somos como pessoa. É lógico que as duas idades devem andar juntas, sendo toleradas pequenas distorções, devido à qualidade e à forma de vida de cada pessoa. Mas não pode haver grandes disparidades – como, por exemplo, aquele senhor sessentão que pensa ser um jovem de vinte e poucos anos, pronto para “abater” todas e fazer qualquer extravagância, achando que tem saúde de ferro; ou aquele jovem, que, às vezes, nem chegou nos vinte, mas age como um senhor de certa idade, chato, ranzinza, metódico, preocupado com coisas que não são do seu tempo.
Pensando nisso, resolvi escrever este artigo, dando algumas “dicas” para quem quiser fazer uma análise sobre “como anda sua velhice”.
Em primeiro lugar, podemos dizer que se uma pessoa se aborrece com pequenas coisas que acontecem no dia a dia e que muitas vezes não estão relacionadas ao seu bem estar ou de seus entes queridos, essa pessoa é uma grande candidata à velhice precoce. Isso pode piorar se ela ficar remoendo o que aconteceu e levar isso para o lado pessoal, ficando, muitas vezes, “feliz” por estar naquela confusão, que só vai acabar quando lhe derem razão. Essa mesma pessoa estará ainda pior e mais aprofundada na velhice se ela se tornar egoísta, intolerante e mesquinha, querendo ser o centro do universo, procurando fazer com que as outras pessoas sintam pena dela. Coitadinha!
Outra característica de quem tem velhice precoce é achar que está sempre certo, os outros é que estão errados. Se alguma coisa saiu errado, é por que os outros erraram e, além disso, geralmente as coisas sempre dão errado para ela. É uma legítima representante da “Lei de Murphy”, uma eterna pessimista.
A pessoa que sofre de velhice precoce geralmente não tem muito compromisso com horários e prazos, afinal, os outros é quem têm que entender seus problemas e suas limitações. É mestre em deixar para amanhã o que se pode fazer hoje. E hoje ela irá fazer... O que é mesmo que ela tinha para fazer hoje?
Essa pessoa também sofre da “síndrome do medo”, pois todos, inclusive Deus e todos os santos, conspiram contra ela. Com isso, ela se sente uma eterna derrotada.
Uma pessoa assim não se preocupa em se atualizar, em acompanhar a evolução do mundo e esmera-se em criticar quem o faz, pois ela percebe que eles estão passando à sua frente.
Enfim, essa pessoa a que estamos nos referindo é uma pessoa que precisa de ajuda, pois ela é insensível ao seu problema e muito menos aos problemas dos outros.
Se você, caro leitor, conhece alguma pessoa com esse perfil, procure entendê-la e ajudá-la, pois tenho certeza de que sua idade cronológica é igual à sua idade mental.

Pense nisso!

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