Por Engenheiro José Antonio Uba
Um dia destes eu estava no vestiário da academia onde pratico natação, quando ouvi um diálogo entre dois jovens postulantes a sucessores de Gustavo Borges, os quais não conheço, por isto irei chamá-los de Gu e Bo.
Gu: - Você está vindo treinar todos os dias?
Bo: - Não cara! Só estou conseguindo vir três vezes por semana.
Gu: - Mas assim você não vai conseguir o “índice”.
Bo: - Tô pouco me lixando para essa competição.
Gu: - Mas você sempre foi competitivo!?
Bo: - Pois é! Mas não está dando mais, estou com muita coisa para fazer.
Gu: - Que pena cara.
Aí eles saíram e foram nadar e eu fiquei pensando naquele diálogo e tentando imaginar o que o Bo estava sentindo por não poder treinar e não conseguir o “índice” (tempo máximo que um nadador tem que realizar uma determinada prova de natação, para poder competir) e ser competitivo e a decepção do Gu, por ver seu colega desistir, talvez, do sonho de competir e ganhar alguma medalha.
Decidi, então, focar meu pensamento e escrever algo sobre a competitividade.
Mas, o que é ser competitivo? Hoje somos mais competitivos do que ontem? Como sabemos se somos competitivos? Diversas outras perguntas surgiram em minha mente sobre a questão competitividade e então, eu decidi escrever sobre a forma mais genérica da competitividade, a competitividade entre pessoas, como seres humanos, pois podemos ser competitivos em áreas mais específicas como, por exemplo, no esporte, na profissão, na sociedade, na educação, na economia, etc.
Na sua forma mais ampla, a competitividade é um conceito comportamental, que impulsiona as pessoas a serem melhores que as outras, fazendo com que superem seus limites. Este conceito parece ser coisa da atualidade, pois fala-se muito que hoje vivemos num mundo competitivo, onde temos que diariamente “matar um leão” para sobreviver, quem não se atualizar vai ficar para trás, a fila anda, se não correr o bicho pega e outras frases de impacto utilizadas para demonstrar o quanto competitivo temos que ser neste mundo globalizado.
Mas, se voltarmos o nosso estudo para os primórdios da humanidade ou antes ainda, para o início da existência dos seres vivos e encontrarmos com a Teoria da Evolução das Espécies de Charles Darwin, iremos verificar que ele se referiu a competitividade de uma forma mais absoluta, pois sua teoria prega a Seleção Natural das Espécies, mecanismo pelo qual a natureza seleciona os organismos mais capacitados para sobreviver em determinado ambiente, como uma competição entre estes organismos pela sobrevivência. Irá sobreviver o mais forte, o mais preparado.
É lógico que este artigo não pretende chegar a este nível de pesquisa e detalhamento, só o citei para mostrar que a competitividade entre os seres vivos existe desde quando eles apareceram em nosso planeta e que estará sempre presente em nossas vidas. Para este artigo basta dizer que a competitividade é uma força que move as pessoas em busca de algo melhor, uma vontade de ocupar uma posição melhor, suplantando as outras pessoas.
O diálogo que presenciei entre o Gu e o BO, se encaixa perfeitamente nesta forma de entendimento da competitividade. O Bo, para ser competitivo e poder enfrentar seus oponentes em iguais condições, precisava atingir um determinado “índice”. Para isto, ele precisava treinar mais. Como não era possível, ele falou ao seu colega Gu, como forma de desabafo, que “estava pouco se lixando para aquela competição”, demonstrando claramente que não estava preparado para competir e se competisse, certamente seria um simples figurante na competição, não iria “sobreviver”. Porém, isto não quer dizer que o Bo não seja competitivo, ou deixou de sê-lo, apenas, ele percebeu que para aquela competição ele não estava preparado e dificilmente iria suplantar seus adversários.
A vida é assim, repleta de competições, nas mais diversas formas e áreas da existência humana e nem sempre se está preparado para competir.
Com certeza o Bo continuará a ser competitivo. Talvez para outras provas da natação, ou para outros tipos de competição, mas uma coisa é certa, ele sempre será competitivo, é uma questão de sobrevivência.
Disto tudo, tira-se uma conclusão. Todas as pessoas são competitivas, só precisam “treinar”, ou seja, estar preparados para as competições que a vida lhes oferece. Não irão vencer todas, mas precisam treinar para vencer a maioria. Sem treinamento, preparação, dificilmente vencerão as suas competições. Ou então, terão que se contentar em ser figurantes a vida toda.
E você, caro leitor! Já pensou em quantas competições que você disputou ou irá disputar na vida? Está preparado para elas? Você é competitivo ou figurante?

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