Qual é a sua marca?


Por Engenheiro José Antonio Uba




Coca-Cola, OMO, Nestlé, Nike... O que essas palavras têm em comum?
Aparentemente, elas não têm relação alguma, mas são as marcas mais lembradas pelos consumidores brasileiros em 2011, conforme a pesquisa Top of Mind, do Instituto Datafolha e do Jornal Folha de S. Paulo.
Uma marca. Algo intangível (que não pode ser tocado), que pode valer uma fortuna, como é o caso da marca Google, que vale US$ 48,2 bilhões, segundo o estudo Global Intangible Financial Tracker League Table (GIFT), divulgado pela empresa de consultoria Brand-Finance, da Inglaterra.
De forma acadêmica, podemos dizer que uma marca é a representação simbólica de uma organização, qualquer que seja ela, a qual permite identificá-la em qualquer lugar e de imediato. Porém, analisando mais profundamente, verificamos que a responsabilidade de uma marca é bem maior do que uma simples representação gráfica. Ela é a imagem da organização perante os consumidores e o público em geral. Segundo Philip Kotler, um dos maiores especialistas em marketing do mundo, a “marca é, em essência, uma promessa da empresa em fornecer uma série de atributos, benefícios e serviços aos consumidores”. Teoricamente, a marca garante aos consumidores um nível de performance de um produto ou serviço esperado pelo consumidor, diminuindo, assim, o risco que o consumidor corre ao adquiri-lo.
Mas não é só para produtos/serviços ou organizações que a marca tem importância.
Certamente você já deve ter ouvido falar sobre a marca de uma determinada pessoa, que, em marketing, chamamos de “marca pessoal”. A marca pessoal é a forma como você é visto pelas outras pessoas e será por ela – a marca – que você será lembrado mais tarde – um gênio, um atleta, honesto, pilantra e por aí vai.
Marca pessoal é sinônimo da reputação que você adquiriu durante a sua vida. As pessoas, ao ouvirem o seu nome ou o apelido que o identifica (sua marca), automaticamente se lembrarão de quem você é, o que você faz, quais são suas ideias, seu comportamento, seu posicionamento perante o mundo, enfim, é pela sua marca pessoal que você se mostra para o mundo. O Sr. Edson Arantes do Nascimento tem uma marca muito importante e valiosa, conhecida mundialmente, chamada “Pelé”. Acho que todos vocês já ouviram falar dela e automaticamente a relacionaram a um grande desportista, o rei do futebol. Marca é isso. É ser lembrado por um nome, apelido ou adjetivo (o Ronaldo, por exemplo, é conhecido como “fenômeno”) e o que ela (a marca) representa para as pessoas.
Mas não precisamos ser ricos e/ou famosos para ter uma marca. Na verdade, todas as pessoas têm suas marcas. Umas mais fortes e conhecidas, outras mais fracas, que passam despercebidas, mas todo mundo é reconhecido por sua marca. Agora, se ela é fraca ou forte, conhecida ou desconhecida, depende de como cada pessoa trabalha e vende a sua marca.
Começamos a desenvolver nossa marca pessoal quando ainda somos crianças, pois nosso comportamento em casa, na escola, nas brincadeiras com outras crianças já demonstra o que seremos ou podemos ser quando adultos. Em um grupo de crianças, é fácil reconhecer quem é o mais inteligente, que é o mais esperto, quem é líder, quem é preguiçoso, quem é bonzinho, quem é malvado, etc. As crianças são originais, elas ainda não estão preocupadas com sua marca pessoal, por isso elas se mostram como elas realmente são. Porém, com o passar dos anos, as pessoas precisam definir o seu posicionamento perante o mundo, ou seja, precisam começar a definir sua marca pessoal, mesmo que inconscientemente, em razão das necessidades e oportunidades que a vida lhes apresenta.
Se você quer ter uma marca forte e ser reconhecido(a) por ela, você precisa identificar suas potencialidades e algo que o(a) diferencie das outras pessoas e fazer com que essas potencialidades sejam reconhecidas pelos demais. Profissionalismo, qualidade, originalidade, flexibilidade, agilidade, elegância, comprometimento, educação, beleza, etc. são alguns diferenciais ou referenciais que podem ajudá-lo a criar ou fortalecer sua marca. Porém, cuidado com o referencial de sua marca, pois ela o identificará por muitos anos e até mesmo para a vida toda. Penso que não seria adequado usar diferenciais “negativos”, como: preguiçoso, briguento, desonesto, corrupto e outros, apesar de muitas pessoas atualmente se beneficiarem com esse tipo de marca. Contudo, cada um é livre para “registrar” sua marca como quiser e achar conveniente, podendo modificá-la mais tarde, mas isso será muito mais difícil.
De qualquer maneira, o importante é você pensar em ter uma marca e como “vendê-la” às outras pessoas. Esse é um trabalho que pode demorar muito tempo. Uma pessoa também pode ter mais de uma marca pessoal (ex.: O Jô Soares tem a marca de fazer humor inteligente e, ao mesmo tempo, de ser um bom entrevistador), e elas serão sempre concordantes e nunca antagônicas, ou seja, uma pessoa não consegue ter uma marca de honestidade no trabalho e ser corrupto na comunidade onde vive, ou vice-versa.
Eu tenho a minha marca. Apesar de ser engenheiro de profissão, estou sempre disponível para repassar às pessoas o pouco que sei, seja em cursos, treinamentos, palestras e até mesmo em boas conversas. Na comunidade em que vivo, sou reconhecido por isso como “professor Uba”, até mesmo por pessoas que não foram meus alunos, mas conhecem a minha história na docência.
E você, caro leitor? Já pensou em ter uma marca?

Pense nisso!

Nenhum comentário:

Postar um comentário