Artigo do Uba


MOTIVO PARA A AÇÃO



Artigo por José Antonio Uba

   Com certeza vocês já devem ter ouvido falar ou lido algum artigo sobre motivação. Muitos até já têm seus próprios conceitos sobre ela e procuram aplicá-los da melhor forma possível, pois a toda hora estamos ouvindo ou vendo alguém falar que “precisamos de motivação para trabalhar melhor, viver melhor”, e etc. Neste artigo, vou procurar mostrar que a motivação nada mais é do que ter um motivo para a ação.   Segundo o Prof. Yoshido Kondo, ex-presidente da Sociedade Japonesa de Controle de Qualidade (JSQC), “Motivação é uma questão de disposição de espírito e não há nenhuma lógica por trás dela” (Livro: Human Motivation – A Key Factor For Management, 1991). Essa citação do Prof. Kondo nos faz refletir sobre o que nos leva a ter motivação. Primeiramente, temos que entender o significado dessa palavra que vem do latim movere (mover) e que, para a psicologia, é um conjunto de fatores (conscientes ou inconscientes) de ordem psicológica, intelectual ou afetiva, os quais agem entre si e determinam a conduta do indivíduo. Porém, o Prof. Kondo nos diz que “...é uma questão de disposição de espírito”, que, em outras palavras, quer dizer que motivação tem a ver com querer fazer, ter vontade de fazer, ter interesse em fazer e ter iniciativa para fazer. Todos estes fatores são internos ao psíquico das pessoas e são despertados pelas necessidades, desejos ou impulsos, que chamamos de “motivos”, e são dirigidos para o alcance de objetivos. Esse estado psicológico leva o indivíduo à “ação”, que é a atividade dirigida para o alcance daqueles objetivos, sustentada pelos motivos.

   Para entendermos melhor esse mecanismo, vamos analisar o que chamamos de “Ciclo Motivacional”, que resumidamente funciona da seguinte forma:
   Todo indivíduo está sempre no estado de equilíbrio psicológico. Devido a algum fator interno ou externo, que chamamos de estímulo, esse indivíduo percebe alguma necessidade, que, se for específica, podemos chamar de desejo. Nesse ponto, o indivíduo passa por um momento de tensão – pois não sabe se sua necessidade/desejo será satisfeita ou não – e parte para a ação, que irá satisfazer aquela necessidade. Se a necessidade/desejo for satisfeita, o indivíduo volta ao seu estado de equilíbrio psicológico. Porém, se ela não for satisfeita, acontece o que chamamos de “frustração”. Essa frustração pode se converter em um novo estímulo e o ciclo se inicia novamente, fazendo com que o indivíduo se mantenha motivado. Porém, se a frustração não se converter em um novo estímulo, aí ocorre a desmotivação do indivíduo.
   Exemplificando esse ciclo: suponhamos que um indivíduo esteja em equilíbrio psicológico com relação à sua necessidade básica de alimentação, ou seja, não está com fome. De repente, ele percebe que seu estômago está “vazio” e que ele está com fome (estímulo). Isso o leva a pensar em sua necessidade de ingerir algum alimento. Se esse pensamento for de algum alimento específico, ele se tornará um desejo. O indivíduo passa, então, pelo momento de tensão e vai em busca de algum alimento para satisfazer sua necessidade ou desejo. Assim que ele termina sua refeição, seu estado psicológico retorna ao estado de equilíbrio e cessa sua motivação para suprir aquela necessidade.
   Como vimos, a motivação é um processo bastante complexo, que sofre influência de diversos fatores e é muito particular de cada indivíduo. Talvez por esta razão, o Prof. Kondo tenha completado sua frase dizendo “...não há nenhuma lógica por trás dela”. Eu, contudo, discordo dessa afirmação, pois penso que a lógica da motivação está em o indivíduo querer sempre satisfazer suas necessidades e, com isso, procurar motivos para a ação.

Por José Antonio Uba

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