Surfando pelas ondas da vida
Prof. Eduardo G. Klaue
Alguns dias atrás conversei com um empresário de Santa Catarina, que no ano passado nos contratou para um ciclo de palestras sobre “Comportamento Humano no Trabalho” para os vendedores de suas empresas. Eles já estavam há alguns anos no mercado, mas passaram a ser pressionados por novas e fortes concorrentes que se instalaram na região e pela crise que começava a se instalar no brasil. O foco principal da disputa era a contratação de seus melhores colaboradores por seus novos concorrentes.
Como naqueles dias eu estava de férias em Floripa, na praia de Canasvieiras, e as palestras eram ministradas em um anfiteatro na própria ilha, convidei-o para trazer sua família para passar o final de semana na praia conosco.
Tomando chimarrão sob a sombra de minha velha e amiga árvore, batizada por mim como “paciência” contei algumas histórias de pessoas que aprenderam a conduzir seus empreendimentos, acompanhado o vai-e-vem do mercado e dos acontecimentos. Na hora em que era possível avançar eles avançavam, na hora que era prudente recuar eles recuavam, na hora em que era preciso estacionar, eles estabilizavam. Mas nunca paravam, sempre se preparavam silenciosamente para as próximas etapas. No final da história perduravam enquanto os outros aparentemente mais fortes sucumbiam. Paciência e estratégia esta era a receita.
Ele me disse que mandou fazer um quadro e colocar em sua sala a frase com a qual eu terminei o último dia dos trabalhos onde solicitei que seus gerentes e líderes escrevessem a caneta na palma de suas mãos “As ondas vão e vem, e os barcos que estenderam suas âncoras avançam”.
O mais interessante, é que ele me contou com alegria que acabara de fechar um negócio de 6 milhões em São Paulo. Que sua empresa quase se foi, mas graças à união de sua equipe, seguraram as coisas, até que veio a crise, e a empresa estava preparada para crescer. E cresceu, em quanto que as duas concorrentes que os desafiavam perderam espaços.
Em julho estarei lá novamente, para mais um seminário. Agora enfocando “A importância de reter e incentivar a promoção de talentos internos, em um mercado em crise, mas cheio de novas oportunidades”.
Nesta semana, quando cheguei de uma reunião com investidores de fora, fiz um chimarrão, coloquei a cadeira de abrir na área, e enquanto olhava as estrelas me lembrei do tempo em que várias pessoas que estavam perto de mim, me perguntavam: - Como é que seus colegas de trabalho estão sempre trocando de carro e você continua com este fusquinha? Você passou no concurso público e continua na mesma! O filho da minha vizinha recém começou a trabalhar e já comprou dois terrenos! E coisas deste gênero. Naquela época, eu investia silenciosamente tudo o que sobrava em cursos para mim e para minha esposa. Depois vieram os gastos com as universidades, as especializações o mestrado e mais treinamentos.
Hoje quando olho para trás, vejo que fizemos o que era certo e agradeço a Deus por nos ter dado o dom da paciência. Meu filho mais velho agora já é um profissional inserido no mercado andando pelas próprias pernas, pois aprendeu a valorizar o trabalho como uma dádiva e as pessoas como a essência de tudo. Sei que a paciência, a determinação e a retidão sempre o acompanharão.
Talvez um dia, quando o destino determinar que à hora é chegada, vou parar de ficar “surfando pelas ondas da vida”, e então terei mais tempo para tomar chimarrão na praia sob a sombra de minha velha e amiga árvore chamada “paciência”. Mas isto é coisa para daqui a muito tempo, pois agora preciso continuar mais uma etapa da caminha, que apenas está começando. E isto é muito bom!
Uma ótima semana, regada de muita paciência para vencer! Um abraço do Klaue.
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Eduardo Klaue é Escritor, Coach, Consultor, Palestrante, Articulista, Estrategista e Conselheiro de Líderes e Gestores Empresariais, Dentro e Fora do Paraná. E-mail: eduardo.klaue@hermeticus.com.br

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