Duas semanas atrás, como já fizera algumas vezes, coloquei a velha camiseta surrada, o chinelo de dedo desgastado, a bermuda amarrotada e um boné totalmente fora de moda, e me fui a caminhar pelas ruas da cidade.
Eram 6:50 quando cheguei ao centro da cidade passando pelo lago municipal e observando as pessoas parando os carros para jogar lixo nos amarelinhos. Fiquei do lado e observei que não eram só materiais recicláveis. Continuei andando, mas uma daquelas pessoas que jogou lixo orgânico no local errado, eu conhecia muito bem. Retirei a sacola do amarelinho e me fui... .
Fui ao centro e parei perto de uma padaria, onde haviam vários conhecidos meus que nem me reconheceram. Ainda bem. Depois fiquei um bom tempo sentado na praça observando o movimento das pessoas.
Passei pelas ruas do centro, e dei algumas paradas para observar melhor o que estava acontecendo. Olhei as vitrines das lojas...que maravilha, é de encher os olhos. Depois fui para a rodoviária.
Fiquei sentado lá no meio fio observando as coisas aconteceram. Então peguei uma circular para dar uma volta pela cidade. Quantas informações se colhe numa voltinha do centro até os bairros. As pessoa falam o que querem sem se preocupar. Assim como se tivessem em um confessionário.
Depois, voltei usando trajetos diferentes. Pois é, se pode observar os lugares e as pessoas com maior tranquilidade, quando se é um “Homem Invisível”.
Na realidade me senti um verdadeiro e legítimo “Homem Invisível”. Gostei, como das outras vezes. Só que desta vez eu estava totalmente sem documentos, e a minha aparência estava bem piorada com relação as outras vezes. Aproveitei o momento em que meu cabelo já se rebelava devido a ter chegado a hora de cortar. Fiquei preocupado com a polícia e a guarda municipal. Mas tudo bem, eu estava invisível mesmo!.
Pensando bem, acho que todos somos invisíveis para aqueles que não se interessam por nós. Mas mesmo os invisíveis têm uma vida. Pensam, sentem, choram, sofrem e tem momentos de alegria e felicidade.
Conversei com outros invisíveis durante a caminhada, e senti que a fé em Deus e alegria de viver estavam presentes. Não vi reclamações. Diferente de pessoas muito bem posicionadas que conheço.
Talvez a ociosidade e a falta de objetivos, sejam mais torturantes do que ser invisível.
Bom, colhi mais alguns materiais que irão servir de apoio para o novo livro que estou escrevendo. Ainda muitas serão as experiências. Diversificadas, interessantes, misteriosas.... No final de ano em uma viagem que fiz, pude também enriquecer o material que me servirá de apoio. Lá eu não era nada invisível.
Invisível ou não, amigo leitor, um forte abraço do Klaue.

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