A luz refletida

     Ficaria dias calculando minha fortuna, se fosse contar às vezes em que pessoas me ligaram para dizer que encontraram a fórmula para ganhar muito dinheiro, que seria fácil, que muitas outras já fizeram e deu certo e mais ainda, que eu estava sendo convidado na frente de outros para participar deste grupo seleto.  Sem contar aqueles que me ofereceram sociedade em negócios realmente da “China”. 
     Respeito todas as posições, mas sempre solicito as pessoas que me procuram, que façam uma análise criteriosa, antes de entrarem em um novo negócio. Principalmente, que somente o realizem após ter lhes passado os primeiros momentos de empolgação.
     É que nós mortais, por evolução, tomamos muitas atitudes levadas pelo desejo e pela vontade cega de chegar mais rápido onde outros levaram muito tempo para chegar.
     Na verdade, nada cai do céu apenas pelos nossos lindos olhos.
     Então, que tal fazermos uma corrente do bem, nestes dias de quaresma? Não vai nos custar nada. Ta certo, eu sei que você já ajuda muitas pessoas. E daí, isto não é novidade em se tratando de meus leitores. Vocês já são considerados  uma onda geradora de valores e prosperidade mesmo. Não sabiam disto? Então comecem a conversar com as pessoas à sua volta. Talvez possam encontrar algumas das pessoas que me enviam mensagens contando a coisas boas que têm feito por aí.  
     E foi uma delas que me enviou a historinha que passo a narrar a baixo.
     “Em uma aula para um grupo de jovens que poderiam se tornar futuros aprendizes, o mestre recebeu uma pergunta de um jovem aluno: - Dr. Papaderos, qual o significado da vida? Este aluno era eu.
     Seguiu-se a risada habitual e as pessoas se mexeram nas cadeiras, querendo ir embora. Dr. Papaderos levantou a mão, silenciando a sala, e me olhou por um longo tempo, perguntando com os olhos se eu estava falando sério, vendo nos meus que eu estava.
     - Vou responder à sua pergunta. Respondeu-me com a tranquilidade que lhe era habitual. Ele tirou a carteira do bolso da calça, pôs a mão dentro da divisória de couro e pegou um espelho redondo bem pequeno, mais ou menos do tamanho de uma moeda de um real.
     Disse então o seguinte: - Quando eu era pequeno, durante a guerra, éramos muito pobres e vivíamos em um vilarejo distante. Certo dia, na estrada, encontrei os pedaços partidos de um espelho. Uma motocicleta alemã tinha se acidentado naquele lugar.
     - Tentei encontrar todos os pedaços e juntá-los, mas não era possível. Então só guardei o pedaço maior. Este aqui, que esfreguei em uma pedra, fazendo-o ficar redondo. Comecei a brincar com ele e fiquei fascinado ao descobrir que podia refletir a luz em lugares escuros, onde o sol nunca brilhava; em buracos profundos, fendas e armários. Aquilo virou um jogo para mim, levar luz aos lugares mais inacessíveis que conseguia encontrar.
     - Guardei o espelhinho e, à medida que ia crescendo, eu o tirava do bolso nos momentos em que não estava fazendo nada e continuava com o desafio do jogo. Quando virei homem, comecei a entender que aquilo não era só uma brincadeira de criança, mas uma metáfora para o que eu poderia fazer com a minha vida. Acabei percebendo que não sou a luz ou a fonte de luz. Porque a luz, -  a verdade, a compreensão, o conhecimento – está bem aqui, e vai iluminar muitos lugares se eu a refletir.
     - Eu sou apenas o fragmento de um espelho do qual não conheço a forma nem a finalidade. Mesmo assim, com o que tenho, posso refletir a luz nos lugares escuros deste mundo, sobretudo nos corações dos seres humanos, e posso mudar algumas coisas em algumas pessoas. Talvez outras pessoas me vejam fazendo isso e façam o mesmo. É para isso que eu vivo. É este o significado da minha vida”.
     E é este convite que lhes faço nesta data meus amigos leitores, que mostrem como espelhos, o que o mundo tem de bom para todas as pessoas a sua volta, mas só o que ele tem de bom.
     Assim poderemos acabar de uma vez por todas com as correntes de pessimismo que algumas pessoas advindas das sombras da insignificância, procuram passar para outras, tentando fazer com que desanimem, sofram, percam as esperanças e a fé. Em fim, que deixem de acreditar no mundo em que vivem.
     Nas estrelas, o segredo está nas estrelas.


Um abraço do Klaue!

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