Por Eduardo Klaue
Cada dia se faz mais comum nos grandes centros, a presença de uma figura até então encontrada apenas em contos de fadas e culturas místicas, o “Feiticeiro” agora com sobrenome; “Feiticeiro Corporativo”. Aquele que ensina de uma forma quase “MágiKa” a seus seguidores os caminhos para o sucesso. Sejam eles pessoais ou profissionais.
Segundo especialistas nesta área de estudo,
“feiticeiros são Magos que não deram certo”, e, assim sendo, pouco podem
ensinar. O que importa é o fato de que muitas e muitas pessoas buscam chegar ao topo da montanha, mas quando lhes
é mostrado o longo caminho a percorrer, acabam desistindo logo no começo ou
desanimando no decorrer da caminhada. Principalmente quando alguns obstáculos
são colocados à sua frente. Para isso
não existe “MágiKa”!
Todos sabemos que obstáculos são coisas que
engrandecem e tornam os homens mais fortes! Então por que fugir deles? Quem
treina até conseguir subir a montanha com pedras pesadas na mochila, o que
poderá fazer quando encontrar um terreno plano, e aliviar o peso que carrega?
Posso afirmar que todos à sua volta ficarão abismados com sua velocidade, poder
e força.
A própria evolução da vida humana nos mostra que o
aprendizado não acontece sozinho, mas sim através de inúmeras tentativas mal
sucedidas e uma incansável persistência para recomeçar. É só observarmos as
atitudes de uma criança quando está aprendendo a andar. Ela tenta tantas vezes
até conseguir, pois a cada tombo tornou-se
mais apta a chegar ao seu objetivo final... Caminhar. Então ela vibra.
Quando toquei na palavra “Feiticeiro” no início deste
artigo, o fiz com a finalidade de demonstrar o interesse que as pessoas têm em
chegar até seus objetivos rapidamente como em um passe de “MágiKa”, e com isso
acabam caindo em terríveis armadilhas que lhes custarão caro por muito e muito
tempo. A fantasia do impulso inicial e o chegar rápido, podem lhes cegar a
visão, tornando-os tão lentos ao ponto de outras pessoas por elas consideradas
“cochas” lhes passarem a frente com grande facilidade.
Se realmente existem, “Feiticeiros” ou “Magos” com
plena certeza, podemos afirmar que necessitaram de muito tempo e dedicação para aprender sua arte, e
não a poderão transmitir com facilidade, nem à poucos e menos ainda à
muitos. Já dizia um conhecedor do mérito e da sucessão das coisas...“O
verdadeiro sábio mostra o caminho, jamais leva alguém nas costas. Os que
puderem, então que o sigam, e assim terão as respostas que por muito procuram”.
Sobre isto, repasso parte de uma história que recebi
de um colaborador muito tempo atrás... “Um feiticeiro africano conduzia seu
aprendiz pela floresta. Embora mais velho, caminhava com agilidade, enquanto
seu aprendiz escorregava e caia a todo instante. O aprendiz blasfemava,
levantava-se cuspindo no chão traiçoeiro, e continuava a acompanhar seu mestre.
Depois de longa caminhada, chegam a um lugar sagrado. Sem parar, o feiticeiro
dá meia volta e recomeça a viagem de volta. O aprendiz cansado, caindo ao chão
diz :- Desisto, você não me ensinou nada hoje. - Ensinei sim, mas você parece
que não aprendeu. Estou tentando lhe
ensinar como se lida com os erros da vida. Respondeu o feiticeiro. - E como se lida com eles? Retruca o jovem
aprendiz. - Como deveria lidar com seus tombos. Em vez de ficar amaldiçoando o
lugar onde caiu, devia procurar aquilo que te fez escorregar, aprender a
superá-lo e seguir em frente. Responde o feiticeiro”.
Nada como um passo a frente do outro, um determinado
tempo, uma estratégia de ação, coragem para levantar e não desistir, muita paciência para esperar as coisas se
ajustarem, e a sobriedade para comemorar o final de uma jornada e o início de
uma nova caminhada que sempre surgirá.
Só começando pelo que é simples poderemos dar o real
valor ao que é sofisticado. Mesmo para os que muito possuem, sempre a mão que
vai à frente deve parecer meio vazia meio cheia, ao gosto de cada um. A que vai
a trás deve ser mostrada a bem poucos e na hora certa. Para isso é preciso
conter os impulsos e alimentar a paciência.
Um abraço do Klaue!

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