Há muitos anos...Enquanto lia aqueles livros dos velhos filósofos nos dias chuvosos na praia, começava a imaginar como aquelas pessoas, tantos anos atrás, poderiam possuir aquele grau de compreensão e conhecimento. Na verdade eu também passara a me considerar um pensador. Afinal de contas eu gastava “os miolos da cuca”, pensando em uma maneira de conquistar as meninas mais bonitas, de ir bem no colégio sem estudar, de comprar tudo o que quisesse sem precisar trabalhar. E muito mais... De ficar forte sem fazer ginástica, de ser convidado para todas as festas sem precisar pagar nada, de ganhar aquele sucesso da época, a moto “cinqüentinha” da Honda, uma fera de 50cc que chegava a 110Km/h de pura emoção. Qualquer coincidência com os jovens de hoje, não é mera coincidência, apenas a potência da moto deve ter mudado.
E como estava escrito em um velho papel no meio de um daqueles livros, “O pensamento é o passeio da alma”, acabei adormecendo no colchão estendido no chão do sótão, liberando meus pensamentos para que pudessem viajar pelos confins do Universo, ou do Universo Reverso como queiram. Quem sabe, lá eu encontraria o segredo do conhecimento adquirido pelos velhos filósofos, e poderia então, ser o Senhor de meu destino.
Impressionado com tantas e novas informações, acabei libertando o meu “Senhor dos Sonhos”, e me vi como em um passe de mágica no pé de uma grande montanha. Quando percebi, do meu lado estava um tal de Heráclito de Éfeso, apontando para uma escadaria que levava ao topo da montanha. Dizia ele: - Eu sou o filósofo, e descobri que somente a mudança é real, e que tudo se transforma no seu contrário. Vá lá e desvende o mistério do “Dos Sete Caminhos”, e terá o poder da transformação.
- Poder da transformação, “tai” uma coisa que me interessa. Eu, um Zé ninguém de quinze anos, e uma vontade danada de ser alguém na vida, topei na hora, afinal era uma informação de “Pensador” para pensador. Bati nas costas de Heráclito e fuiiiiiii.
Não era nada fácil, mas subi degrau por degrau até ficar frente a frente com um velho de longas barbas brancas, rosto sério, e voz grave, que logo me fez a seguinte pergunta:- O que procuras aqui rapaz, não percebes que não gosto de ser importunado? Meio assustado respondi: - Procuro o conhecimento dos filósofos, do que é, do que foi e do que será!
- Ah então é isto, muitos já tentaram, poucos conseguiram. Respondeu-me novamente em tom de ironia. E continuou: – Se tens realmente o domínio do poder infinito da vontade, primeiro deverá atravessar as “Os Sete Caminhos”, respondendo as sete perguntas secretas que são: Quem acredita ser você realmente? O que procuras alcançar nesta caminhada? O que estás fazendo para conquistar o que procuras? Se desejas conquistar algo, por que ainda não o fez? Como acreditas poder conquistá-lo sendo o que és, pensando como pensas, e agindo como ages? Por que acreditas ser bom encontra-lo? E a última e grande pergunta: Quando conseguires encontrá-lo, o que fará de proveitoso com ele?
Naquele momento o mundo girou à minha volta e acordei. Mas agora eu sabia que o encontro se repetiria à medida que eu obtivesse as respostas e percorresse cada caminho. Compreendi que se passariam muitos anos, até que o ciclo fosse completado, tendo a paciência como meu algoz. E nesta hora “o velho de longas barbas brancas” estará lá a minha espera e diria... - Muitos já tentaram, poucos conseguiram, pois andar por todos os caminhos, encontrar as respostas uma a uma e resistir em não utilizá-las até o momento oportuno é como um caminhante viajar por anos e anos, passar fome e frio, e mesmo possuindo consigo uma sacola cheia de ouro, nunca usá-la até que chegue a seu destino.

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