Alguns dias atrás, tivemos o privilégio de assistir a uma apresentação da Orquestra Sinfônica do Paraná, para a qual só cabe uma palavra: fantástica!
O show propiciado por essa orquestra, que é um dos orgulhos do Paraná, é realmente inesquecível. Comandada pelo maestro Cláudio Cohen, ela acariciou os nossos ouvidos com músicas de Nicholai Rimsky-Korsakov, Camargo Guarnieri, Claudio Santoro, Sergei Prokofiev, além um magnífico concerto para harpa de Gabriel Pierné, magistralmente executado pelo solista Hélio Leite.
Enquanto aquelas músicas enchiam o ambiente do teatro, levando-nos até onde nossa imaginação poderia alcançar, eu fiquei observando o comportamento e o funcionamento daquela equipe de músicos que chamamos de orquestra – talvez seja uma ousadia compará-la a uma equipe de trabalho ou uma empresa, mas como especialista em desenvolvimento gerencial, eu não poderia deixar de fazê-lo.
Observei, por exemplo, que o maestro se portava como um comandante, acompanhando todos os movimentos da orquestra e conduzindo os músicos a tocarem seus instrumentos com a maior perfeição possível. Vez ou outra apontava para alguns deles, pedindo para aumentar ou diminuir o volume ou mesmo o ritmo, demonstrando pleno controle e conhecimento de “sua” orquestra. Instrumentos, música, músicos ... Todos em harmonia. Ao final de cada apresentação, diante dos aplausos da plateia, ele pedia que alguns de seus músicos se levantassem individualmente, para receberem aqueles aplausos como reconhecimento pelo seu trabalho – certamente aqueles que despontaram naquela música. E finalmente, pedia que todos se levantassem para agradecer o carinho do público presente. Um verdadeiro líder.
Observei também que, durante a execução das músicas, enquanto alguns músicos tocavam seus instrumentos, outros ficavam à espera de suas entradas, porém, mesmo não estando tocando naquele momento, todos acompanhavam a execução e se preparavam para sua participação, mesmo que por breves momentos. Fazendo uma comparação dessa situação com uma equipe de trabalho, observamos que muitas vezes achamos que um colaborador de nossa equipe não está produzindo muito, por só fazer uma ou outra “coisinha”. Porém, se esse colaborador estiver fazendo o que lhe foi determinado e com qualidade, ele estará dando sua contribuição para o sucesso da equipe e, se o tirarmos da equipe, com certeza sua falta será notada, pois, sem a sua intervenção no momento certo, a “música” ficará, no mínimo, estranha. Portanto, devemos valorizar todos da equipe, mesmo os que produzem pequenas “coisinhas”.
Outra coisa que me chamou a atenção foi o fato de, em determinado momento, o maestro pedir para que parte da orquestra (metais e percussão) se retirasse do palco, pois a música a ser tocada era apenas para instrumentos de corda. “Mesmo ficando no palco apenas os instrumentos de corda, a orquestra continua a ser uma orquestra”, disse-nos o maestro, justificando a saída dos demais componentes. Isso me fez lembrar que muitas vezes desenvolvemos alguns trabalhos para os quais não necessitamos de toda a equipe e que essa equipe não precisa ser desfeita por causa disso. Nesses momentos, podemos dar um “descanso” aos membros da equipe que não estão diretamente envolvidos naquele trabalho, porém, continuam a fazer parte da equipe. O importante é não deixar que essas pessoas se sintam isoladas ou rejeitadas pela equipe, afinal, o trabalho delas é fundamental para a sequência do espetáculo.
Antes de tocarem a última música, o maestro, demonstrando simpatia e afinidade com o público – seus “clientes” –, disse como a plateia deveria se comportar, insistindo nos aplausos, para que a orquestra desse um “brinde”, um “bis”, tocando mais uma música, que não estava prevista no programa, em reconhecimento ao pagamento (leia-se: aplausos) pelo show apresentado. Muitas vezes, nossa equipe ou empresa necessita desse reconhecimento por parte do cliente. Ou seja: dá o melhor de si para que haja uma interação com o cliente, visando atender as expectativas destes da melhor forma possível e, ao final, espera um reconhecimento por isso. Nós, como “clientes”, ao sermos bem atendidos em nossas necessidades ou desejos, temos a obrigação de reconhecer o bom trabalho realizado por uma equipe ou empresa e, por que não, esperar um “brinde” no final.
Relacionar o espetáculo de uma orquestra a uma equipe de trabalho ou uma empresa talvez seja uma utopia, pois, em uma orquestra, o nível de profissionalização, os exaustivos ensaios e a busca pela perfeição talvez não sejam tão condizentes com o dia a dia de uma empresa ou equipe de trabalho, mas, no meu entender, é um bom referencial, pois propicia uma boa comparação entre os elementos (maestro/músicos/instrumentos e líder/membros da equipe).
Pense nisso!

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